A Performance by HM esteve presente na talk Matérias-primas Made in Portugal, organizada pelo CENIT, onde CITEVE, Agromethod Labs e Altri apresentaram o ponto de situação da produção nacional de matérias-primas têxteis. Para marcas europeias que já produzem, ou estão a avaliar produzir, em Portugal, isto interessa por uma razão concreta: reduz mais um elo de dependência externa na cadeia de abastecimento.

Celulose e fibras naturais made in Portugal

Carla Silva, diretora do Departamento de Química e Biotecnologia do CITEVE, apresentou o projeto Be@t, que já permite produzir fibras celulósicas regeneradas a partir de madeira e resíduos florestais certificados, algumas com propriedades técnicas acrescentadas, como resistência ao fogo. Portugal tem também ensaios avançados de linho e cânhamo cultivados no Norte e no Alentejo.

«Temos fibras de linho e de cânhamo inteiramente produzidas em Portugal», afirmou Carla Silva, atualmente em fase de otimização industrial.

O algodão que nasce sem terra

Um dos projetos mais originais vem da Agromethod Labs: algodão cultivado em interior, sem solo, por sistemas hidropónicos. Raquel Maria, fundadora da empresa, explicou que a fibra resultante é comparável a algodão premium e já foi validada em toda a cadeia, da fibra ao fio, até a uma malha 100% hidropónica. O sistema permite colheitas contínuas ao longo do ano, com menos água e sem pesticidas, ainda em fase piloto, com cerca de 130 plantas, mas já com potencial identificado para marcas que valorizam rastreabilidade.

Da floresta às prateleiras

A Altri está a converter parte da sua produção de pasta de celulose, hoje maioritariamente exportada para a China, em fibra têxtil produzida cá. Gabriel Sousa, diretor executivo de inovação e tecnologia da empresa, adiantou que uma unidade de demonstração vai arrancar ainda este ano na Caima, com a fibra AeoniQ, para testar escala com clientes.

O que isto significa para quem produz em Portugal

Nenhum destes projetos está ainda a substituir o algodão ou o poliéster importados em volume. Mas confirmam uma tendência que interessa diretamente a marcas com produção nacional: a cadeia de abastecimento têxtil portuguesa está a ficar mais curta, ponta a ponta. Isso reforça exatamente o argumento central do nearshoring, menos dependência, mais rastreabilidade, menos exposição a choques logísticos externos.

 

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